sexta-feira, 3 de junho de 2016

Gods of Egypt

Na falta de novas ideias em Hollywood vale tudo para tentar inovar de alguma forma. Assim os roteiristas de Gods of Egypt (Deuses do Egito, no Brasil) resolveram transformar uma religião antiga, que predominava nos tempos dos faraós, adaptando tudo em uma espécie de Fúria de Titãs do Rio Nilo. Dirigido pelo cineasta Alex Proyas o filme comete todos os tipos de excessos visuais possíveis, indo na mesma trilha de projetos como John Carter ou Battleship e tais como esses exemplos citados caindo no mesmo problema: a falta de um bom roteiro. Isso porque com poucos minutos de filme você já estará cansado e farto de tantos deuses, num aglomerado desnecessário de personagens secundários que mais atrapalham do que ajudam na diversão (que é a única coisa que essa produção poderia almejar entregar ao seu espectador).

Havia um dualismo nessa religião egípcia antiga. Como acontecia quase sempre em crenças com muitos deuses (politeístas) existia uma infinidade de divindades que controlavam praticamente todos os aspectos das vidas dos pobres mortais. Assim existiam divindades que cuidavam da sabedoria, outras do amor, da honra, das forças da natureza e por aí vai. Na base desse roteiro temos dois adversários bem delimitados. O primeiro é Hórus (Waldau), filho de Osíris (Brown) que lhe dá de presente o trono de todo o Egito. Essa sucessão causa fúria e inveja em Set (Butler) que logo parte para a tomada do poder pela força. Deus dos desertos, de personalidade perversa e traidora, ele não aceita ser colocado de lado em relação ao trono. Após matar Osíris, seu próprio irmão, arranca os olhos de Hórus e o joga numa prisão distante.

Essa parte do roteiro é bem fiel ao que fazia parte da tradição da religião do antigo Egito. O problema é que tudo se resume nesse ponto de partida. A partir disso tudo é reconstruído como se fosse um novo filme de super-heróis. Os deuses ganham asas e superpoderes, seu sangue jorra como se fosse ouro líquido e eles nunca parecem estar dispostos ao diálogo, indo logo para a força bruta. São deuses bem violentos mesmo e nada sofisticados. Eles me lembraram inclusive dos personagens da mitologia de Thor (que é bom lembrar também era um deus dos povos que habitavam o norte da Europa). Pelo visto quanto mais antigo é uma divindade dentro do imaginário humano, mais violento ela seria. Está aí uma boa tese de discussão para historiadores de religião em geral. Em épocas brutais os deuses refletiam as próprias sociedades que acreditavam neles. Não havia espaço para misericórdia, perdão ou paz. Em todas as divindades de civilizações antigas o que imperava era o poder e a força.

Penso que esse filme se tornará uma espécie de Simbad no futuro, sendo constantemente reprisado nas TVs, conquistando toda uma nova geração de crianças e adolescentes por causa de seu visual bem realizado, monstros e deuses alados, mas que no final das contas não conseguirá marcar muito do ponto de vista cinematográfico. O que fica mesmo na mente depois de uma exibição de Deuses do Egito é sua excelente direção de arte. Se o estúdio tivesse caprichado um pouquinho mais no roteiro, com tanto dinheiro disponível no orçamento, poderíamos realmente ter algo melhor, talvez um novo Stargate ou algo nesse nível. O problema é que muitas vezes a ganância fala mais alto e o que era para ser ao menos promissor acaba se perdendo em fórmulas vazias, clichês, visando unicamente atrair o público mais mediano que frequenta cinemas hoje em dia. Quando se valoriza demais o comercial em detrimento do artístico acontece justamente isso o que vemos nesse filme: uma obra visualmente deslumbrante, mas sem conteúdo nenhum.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu. 

Para ler mais sobre Deuses do Egito clique Aqui! 

Um comentário:

  1. Avaliação:
    Direção: ★★
    Elenco: ★★
    Produção: ★★★
    Roteiro: ★
    Cotação Geral: ★★
    Nota Geral: 6.0

    Cotações:
    ★★★★★ Excelente
    ★★★★ Muito Bom
    ★★★ Bom
    ★★ Regular
    ★ Ruim

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